“Folha” e “Estadão” são velhos defensores da ordem. Em 64, defenderam
uma “ordem” curiosa: em nome da Democracia, era preciso atentar contra a
Democracia. A gloriosa imprensa nacional implorou pelo golpe. E foi
atendida. Nos anos seguintes, jornalistas foram presos, torturados. Na
época, a maioria dos jornalistas tinha noção exata de que o interesse do
patrão não era o interesse do jornalista. Os dois não se confundiam.
Os anos 90 transformaram os jornalistas em “novos-ricos”, apesar de
quase sempre mal pagos. O novo-riquismo se expressava em um jeito
“moderno” de se vestir, que eu vi de perto na Redação da Barão de
Limeira: chefes com calça pula brejo, gravatas coloridas, um jeito
espalhafatoso que alguns chamavam de “yuppie”. Muitos, mesmo sem ser
chefes, embarcaram no modismo. Vestiram roupa dos chefes, passaram a
pensar como os patrões. Jovens recem-saídos da faculdade chegavam às
redações achando que eram sócios da “liberdade de imprensa” dos patrões.
