17 agosto, 2007

ATÉ QUANDO?

Mistério e especulações envolvem a morte da professora Luiza Lopes.

A professora era diretora de uma escola da rede pública estadual na capital maranhense e foi encontrada morta na quinta-feira (16/08/07).

Não quero tecer comentários sobre a forma do desaparecimento da professora na terça-feira, nem das condições em que foi encontrado o corpo na quinta. Quero frisar o uso político que se faz por aqui, de tragédias como essa.

A morte da professora é notícia de capa em, pelos menos, três dos jornais mais importantes do Estado. O caso é noticiado com um enfoque que está em conformidade com o campo político de cada órgão de imprenssa. Pelo que já ví em outras oportunidades já imagino onde querem chegar. Em momentos de intensa disputa política, como este, cadáveres aparecem para alimentar discursos e tirar o foco dos debates importantes para o Estado. Querem fazer um palanque sobre o caixão da professora.

Infelizmente, isso é muito frequente no meu querido, rico e, ao mesmo tempo, pobre Maranhão.

Este que é um Estado rico pela abundancia de recursos naturais, pela diversidade e exuberância da sua cultura, pelo enorme potencial que representa sua gente trabalhadora. É, ao mesmo, tempo pobre pelos desgovernos que se sucedem nas esferas do poder, pelo descaso com que os gestores trataram a saúde pública, por terem as autoridades desprezado a educação e pelo baixo nível da discussão política que se apresenta ao povo.

É lamentável que a professora Luiza esteja morta. É lamentável que as discussõies em torno da sua morte façam com que o caso de polícia vá parar nas rodas da política ou que discursões políticas sejam feitas nas páginas policiais de um jornal. Dá no mesmo.

Espero que isto não vá adiante. Desejo que os familiares da professora tenham a chance de chorarem em paz a perca de seu ente querido. Almejo que o povo do meu Estado tenha a oportunidade de debater a política em termos de projetos de desenvolvimento, ao invés de se debruçar sobre cadáveres para dizer quem é e quem não é o assino.
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